Como é o dia das mães (sem ela)

Domingo todos se reunirão com o intuito de comemorar uma data, para muitos, comercial, que estimula o consumo e garante para as genitoras um agrado.

Não é a data, mas a figura materna que inspira tanta pompa para o dia, pois sabemos que as temos por toda a eternidade, vinte quatro horas por dia, sete dias por semana.

Mesmo em preces, é nela que depositamos a fé de que haverá uma resposta para uma fase ruim ou momentos de puro sofrimento.

Nós todos esquecemos de como foi confortável ser carregado por nove meses no melhor lugar do mundo. Mas ninguém duvida que lá era melhor.

Ao encarar o frio do mundo, o primeiro rosto associado com o som da voz que nos tranquilizava foi dela.

Símbolo da dedicação e apoio, mesmo quando não merecemos.

Muralha de proteção contra qualquer ameaça. Fortaleza que se apresenta nas situações mais embaraçosas, bastando seu olhar para nos fazer suspirar e pensar que seria muito mais difícil sozinho.

Um abraço de mãe é indescritível, porque é completo, dispensando palavras e pensamentos.

Criatura divina e eterna, só poderia ter esta descrição: mãe.

Vestibular

Todos ou boa parte de nós passou pelo período do vestibular, público ou privado, mas envolvendo toda a família.

Num primeiro momento parece que só o candidato está totalmente comprometido como um porco na feijoada, mas os parentes próximos passam a perceber o quanto muda a rotina, alimentação e escolhas.

Simulados, horas de estudo, usar a internet para distrair (ao contrário de pesquisar), filmes melhor escolhidos, pois não há tempo para fazer algo que o desperdice.

Esse universo de fatores gira em torno da cabeça de qualquer candidato, passa a definir as prioridades dos outros, pois não há algo que o ensino médio atualmente represente mais que o vestibular e o ENEM.

Nos bastidores, vem a realidade maior, que é a preocupação com os pais com a continuação, já que os filhos consideram que o importante é ultrapassar todas as barreiras de alguns dias de exame. Para pais não há um fim ali, sim uma mudança muito maior na continuação, local para morar (para aqueles que prestam exame para outra cidade), proximidade com o local da instituição de ensino, maturidade do filho para morar sozinho e assumir responsabilidades que até então nem passava perto dele, rotina de visita à família, possibilidade de “não ser exatamente o que eu queria…” (esta uma realidade muito comum, pois exigir que alguém com dezesseis/dezessete anos decida qual profissão seguir é o verdadeiro teste), como estabelecer contato frequente (nisto a internet é fundamental), enfim, poderia relacionar um livro de “temores’ paternos.

Talvez seja por isso que a colação de grau seja algo extremamente chato para quem é convidado, mas para a família do formando representa um mundo vivido intensamente que não é, nem de longe, percebido por quem escuta os discursos, quase sempre, monótonos e vazios de paraninfos e patronos.

Incrível que entre o pisar na sala de exame para um vestibular e a obtenção do diploma de ensino superior há muita diversão, aprendizado, amadurecimento, sofrimento, autoconhecimento, amizade, decepções…opa, outro livro aqui !

Isso é só para quem vai passar pelos bancos da universidade viver intensamente.

Investindo nas relações

Passamos boa parte de nossas vidas trabalhando ao lado de pessoas que não conhecemos de verdade.

Um terço do dia executando tarefas, sem saber se quem está próximo está bem, nem ao menos queremos saber, pois o importante é a rotina diária.

No momento de mudar de profissão, fato comum na atualidade, vem a sensação que não foi um tempo ganho, não houve investimento naquela oportunidade de conhecer outras pessoas e fazer amigos, porque o ambiente de trabalho não é moldado com esta finalidade.

Relações de amizade tornam a hierarquia funcional uma experiência controversa, com sentimentos opostos num verdadeiro embate emocional. Por este fato não são aceitas ou, de certa forma, evitadas as parcerias, que sendo um pouco coerente, seriam benéficas ao ambiente laboral e criariam o tão desejado estímulo para o trabalho em grupo.

Mas não é esta a barreira principal, porque amizades duradouras superam estas limitações comprovando que as boas relações dentro de pequenas ou grandes organizações, fazem  bem a todos.

Determinadas situações de conflito que levam à atitudes extremas, trazem o desgaste fatal do que resta de intenção de manter o vínculo com os colegas.

Perdida a cumplicidade da equipe, nem o melhor dos “chefes”, consegue a sinergia gerada espontaneamente.

Uma dura da gerência no momento que a equipe acabou de realizar o objetivo planejado há tempo, por qualquer motivo fútil, é como um sopro malígno no castelo de cartas inteligentemente montado e equilibrado.

Espalhadas no solo, cartas são apenas isso. Não lembram mais o resultado que merecia o elogio e reconhecimento.

Na escola, na vida, cada carta tem seu valor na grande obra de profissionais comprometidos com os projetos.

Adaptando uma frase que minha esposa gosta: quem sopra não lembra, mas quem viu sua carta cair, não esquece.

No trabalho as relações com os colegas não são importantes, são essenciais.