Na época da minha mãe

A casa vivia cheia, se não fosse de parentes visitando, estavam morando por um tempo.

Todo domingo tinha churrasco. O pai botava a costela a assar oito da manha, coberta por uma grande quantidade de sal grosso (isto não era considerado um suicídio nutricional na década de setenta), mas sempre com um número pequeno de pedaços de carvão vegetal para formar um braseiro ameno, daqueles de dava para deixar a mão aquecendo nos dias frios de Florianópolis.

Os domingos só finalizavam com a música do fantástico, que era igual o sino da igreja, um aviso para nos deprimirmos com a semana que, só então, estava começando.

Durante a semana toda era almoço para multidão, sempre tinha gente entrando e saindo, numa época em que nem portão nossa garagem tinha. Os muros não tinham grade, bastavam ser um pouco mais altos, porém na lateral das residências, porque a fachada sempre ficava exposta em ruas pacatas pavimentadas com paralelepípedos ou chão batido.

Minha mãe não se incomodava com a casa cheia de gente, pelo contrário, quando ficava sozinha, tricotando na sala e dizendo que na TV só passava filme de guerra (ela odiava), parecia triste.

Nossa geladeira tinha o que era para todo mundo, não existiam potes com donos. Se estava lá, era para consumo de todos que ali residiam ou visitavam.

Minhas irmãs herdaram o procedimento da minha mãe de quando dava uma passada no supermercado. Ela só comprava o que poderia ser consumido em quantidade sem onerar o orçamento do mês, mesmo que fôssemos mais de dez pessoas sob o mesmo teto. Não chegávamos ao racionamento, mas o consumo era diferente. Por exemplo: refrigerante, só final de semana de comemoração, senão era suco de laranja ou em pó. Claro que tinha dia de groselha misturada na água. Macarrão, maionese e churrasco, só naqueles domingos de casa cheia, com direito a bolinho de chuva com uns pedaços bem pequenos de banana que era comprada em cachos, nunca em pencas.

A garrafa térmica vivia cheia, era café para o dia todo e tinha aroma e sabor de café, mas só os adultos bebiam, a gente tomava nescau com açúcar.

Pão era comprado em alguma vendinha, porque padaria eram Universo (única que abria domingo), Brasília e a do Mercado Público.

Minha mãe partiu, depois de alguns anos, meu pai.

A casa ficou vazia.

Agora entendo o que minha mãe sentia ao pensar naquele silêncio.

Resultado de imagem para casa vazia

Anúncios

O Brasil, a copa e aqueles centavos de 2013

Há quatro anos, Luciano Huck e seu camarote puxaram o coro de “Ei, Dilma, vai…”.

Foi medíocre, boa parte do estádio, durante a abertura do evento que marcaria o país na história do futebol, não por ser sede, mas pelo 1×7 para a Alemanha, não entrou na onda e se envergonhou que a classe média com condições de pagar os caros ingressos, se prestava a xingar a autoridade máxima do país, eleita democraticamente pela maioria dos cidadãos brasileiros em transmissão internacional.

Um país que entrou dividido desde o primeiro lance daquela copa cheia de escândalos que envolvem políticos e empresários de diversos matizes, trazidos à tona por investigações nem sempre iniciadas por autoridades policiais. Estava sendo inaugurada a era do denuncismo midiático que permitia que qualquer reputação seria arremessada à sarjeta, bastando estar no caminho dos interesses dos barões da mídia, da oposição derrotada nas urnas ou dos torceram para que tudo desse errado.

Evento que, ano antes, estava contaminado com os protestos que tomaram às ruas, inicialmente, pelos inexperientes componentes do movimento do passe livre, que foi visto pela mídia com uma excelente oportunidade de enxovalhar o governo pelo qual não nutria qualquer simpatia e tratá-lo como o bode expiatório de tudo que acontecia de errado na vida de cada cidadão brasileiro.

Alguns grupos da ala progressista ameaçaram entrar no estouro da boiada, mas colocaram os pés no chão e perceberam (tardiamente) que eram massa de manobra.

Não foi só ruim, teve o surgimento dos protestos oriundos dos estudantes secundaristas, num momento de fantástica dubiedade política, foram mais conscientes e forçaram governos a mudarem a estratégia que previa fechamento de escolas públicas.

Mas a presidente cometeu, meses antes da Copa do “Mundo”, um equívoco extraordinário, em nome da segurança do evento, assinando um documento que criminalizava até os mais pacíficos protestos, dando aos governadores da direita (seus ferozes inimigos e futuros algozes) o direito de mandar as PM’s descerem o pau em qualquer cidadão que se posicionasse contra os interesses do capital que passou a ditar a regra do “jogo” político e econômico. Não bastava Levy, ainda tinha a truculência que agora estava “liberada”.

Professores do Paraná foram atacados de helicóptero, cujo custo de hora de vôo não é pequeno, incompatível com administrações públicas que se queixavam de estarem com os cofres vazios, quebradas. Pergunta natural: como havia capacidade de investimento em armamento “não-letal”? a quem interessava este tipo de investimento?

Não se viu ataques vigorosos aos pontos de tráfico que atendem e atenderão a classe média, grande consumidora de drogas e garantidora do alto faturamento dos traficantes, até aqueles que têm helicópteros para transporte da droga entre suas fazendas e são parlamentares de reputação muito duvidosa. Muito menos prisões dos proprietários dos veículos e dos imóveis. Aliás, ninguém ficou preso, nem o piloto do helicóptero, carinhosamente apelidado de helipó. Recentemente, este mesmo piloto, foi preso por estar participando de entrega de drogas por helicóptero, mas a mídia não “fala mais disso”.

Muito antigamente, até 1982, no meu caso, o país parava para assistir aos jogos da seleção, em 2014 não foi assim. O dito craque da seleção se chocou com um brutamontes da Colômbia, que sequer foi advertido pelo assoprador de apitos e, de forma muito suspeita, levou o “ídolo” para o hospital com diagnóstico de fratura na coluna. Suspeita a notícia porque apenas alguns meses após o final da copa de 2014, ele estava correndo como um menino que nunca teve qualquer lesão.

Alemanha 7 x 1 Brasil, silêncio nas ruas, pelo menos daqueles que assistiram até o final da partida, o país continuou funcionando, mas a derrota de um time, em uma partida estranha, tinha o objetivo de ferir de morte a presidente da República.

Naquele dia da derrota, o golpe (impeachment) estava decidido pelo STF, afinal, como os supremos ministros iriam engolir tamanha derrota. O denunciado presidente do TCU iniciou o processo de que a presidente havia “pedalado”.

Decididamente, aqueles centavos da passagem do transporte coletivo não valeram o estrago que o país sofreu desde então.

 

Páscoa

IMG_0007 (2)
Ovos caseiros

O otimista não sabe o que o espera – Millôr Fernandes

Há um ano, o Brasil parou para assistir ao domingo da Globo.

O cenário era a Câmara dos Deputados, os atores, parlamentares comprados com dinheiro da Odebrecht que também não havia gostado do resultado das eleições de dois mil e catorze.

Eduardo Cunha, presidente da Câmara havia prometido se vingar da falta de apoio político do governo para sua intenção de mandar na “casa”. Acabou conseguindo os votos do baixo-clero, cujo preço era menor que o de figuras que circulam há mais tempo naquela pocilga.

Foi um dia em que até o cachorro de estimação serviu para dar o voto “sim”.

Tiririca afiançou a palavra de palhaço no almoço do mesmo dia, mas alma havia sido comprada pela empreiteira, transformando a palhaçada em piada grosseira.

Em um ano, tivemos nossos direitos e aposentadoria roubados, literalmente, por bandidos denunciados pelo ministro Fachin, o mesmo que autorizou o pedido de impeachment de Dilma oferecido por Eduardo Cunha. Fachin havia sido conduzido ao STF pela presidente havia dois meses, supondo-se que era alguém de sua inteira confiança. Naquele dia a sentença estava decidida, não haveria como utilizar o republicanismo para defender quem não pedalou ou meteu a mão em verba pública durante o mandato.

Cunha está preso, mas a mídia o protege de todas as formas, inclusive não houve espetacularização da condução à República do Paraná, como é de praxe para o grupo que se entendeu como dono do destino do país, dizendo-se apartidário, porém tem bicos e penas como uniforme obrigatório.

Alguns foram às ruas protestar contra um governo ilegítimo e seu projeto neoliberal de cortes nos projetos sociais, de saúde e educação, em nome do pagamento da dívida (que não pode ser auditada) interna e o “monstro terrível” da inflação.

Correios, Banco do Brasil, Caixa e, principalmente, a Petrobras, foram desmontados para servirem de alimento ao voraz capital internacional que decidiu protagonizar um movimento mundial de tomada do poder na força da direita conservadora.

Um país que era membro do BRICS, que reuniu condições para ser um modelo de desenvolvimento, retirando milhões da linha da miséria, ajoelhou-se diante da fúria da “maior democracia imposta do planeta”, assumindo sua condição de vassalo dos interesses daquele país. Sem uma bomba sequer, passamos a servir aos interesses de Koch Brothers e Trump. Obama sai muito menor que entrou, campeão de bombardeios em países invadidos (destruídos).

Na semana que comentaristas de aluguel comemoram o uso do MOAB, o mais destrutivo artefato não nuclear lançado sobre civis na Síria, semanas após grupos apoiados pelo Tio Sam terem utilizado armas químicas para acabar com vidas de civis, comemora-se a páscoa, quando ao encerrar a quaresma, alguns voltam ao comportamento padrão, regado no álcool (com direito a compensar pelos quarenta dias de “respeito”) e consumismo voraz.

Num país onde, se tudo der certo e os sindicatos se recusarem ao acordo padrão Paulinho da Farsa, pode ocorrer uma greve que pressione o governo do Mordomo a recuar diante de reformas caracu, a maioria não tem emprego e condições de se manter, ainda há publicidade de páscoa e o comércio sonha com o consumo de outrora, dizer para as crianças que coelhinho da páscoa existe e ele é amigo daquele “comunista” de Belém é forçar bastante a barra.

Fico ainda mais pasmo quando vejo pessoas que não enxergam a situação do país nas mãos de bandidos denunciados, mas estão preocupados com a Terceira Guerra Mundial que está na cabeça do milionário mimado e conservador que sentou na Casa Branca e não sabe a diferença entre o Iraque e a Síria, só mandou jogar a bomba, pois estava bem longe da “casa” dele.

Boa páscoa!

Mangueira e Chico

Blog da Jô Capoeira

Não é sempre que conseguimos realizar dois sonhos numa noite só!

Quinze de fevereiro de 2017. Essa data ficará eternamente na memória.

Ir até São Paulo para assistir o Show de Verão da Mangueira. Uma aventura vivida com o Neto, meu companheiro e amor da minha vida.

O show começou com a maravilhosa Matia Bethânia. Depois uma sequência de grandes artistas homenageando esta escola, a “escola mais querida do planeta”! Ciganerey, Tantinho, Leci Brandão, Fafá de Belém, Mariene de Castro, Elba Ramalho, Alcione e… Chico Buarque!!!

A felicidade e emoção foi tão grande que as lágrimas jorraram, num choro quase que descontrolado em poder ver o Chico Buarque e os integrantes da Mangueira.

Bateria, intérprete, Mestre Sala e Porta Bandeira, passistas, baiana…

“Sei lá não sei, sei lá não sei não
A Mangueira é tão grande…”
Que nem cabe explicação” Paulinho da Viola

Ver o post original

Releembrando o que temos de “futuro”

idademediaQuando ainda vivíamos sob o comando explícito de bancos e corporações, no início da década de oitenta, alguns teimosos chamavam de reabertura pois consideravam que o regime militar estava em distensão, o governo caiu no colo de uma raposa política do Maranhão, José Sarney (que o genial Millôr chamava de Sir Ney), eleito indiretamente vice de Tancredo Neves (avô do nariz de platina), assumiu por cinco anos sem que a Constituição Federal lhe desse amparo para este jogo do poder, pois deveriam ter sido convocadas novas eleições. Foi o início da chamada “nova república”, era das inserções constantes na TV, a mídia da época, sempre iniciando com “Brasileiras e brasileiros,…”

Seguindo o que já praticava a “maior democracia do mundo” e principal financiadora, sustentadora e administradora dos golpes na América Latina, surgiu a figura do lobista que circulava livremente pelos corredores do Congresso Nacional, cooptando figuras pouco ilustres, mas sedentas, vendendo as benesses e facilidades de grandes corporações (antigamente denominadas multinacionais), cujo princípio nada mais foi que o da oferta e consequente aceitação da “propina”.

Nunca mais teríamos uma reversão deste cenário, pois as empresas montaram seus esquemas bilionários e criaram estes monstros que hoje habitam o parlamento sem pudor e sem propósito público.

Acenou-se com uma mudança, em oposição ao que fez a suprema corte estadunidense, proibindo o financiamento de campanha privado advindo de empresas, com a intenção clara de evitar que o lobby determinasse o resultado de votações de PL’s importantes.

Mas com o Cunha como presidente e depois, mesmo estando “preso”, continua indicando aliados no atual governo do Mordomo. O parlamentar cassado não é nada mais que um chato para o pessoal da PF que é obrigado a conviver com nefasta criatura. Continua definindo até quem vai para o STF, denunciando que o envolvimento da estrutura dos três poderes é mais íntima do que vende a mídia.

Desde 1965, a mídia quem sustenta as falácias do governo que lhe é conveniente e a sobrecarga de denuncismo (ainda que não sejam baseados em fatos) contra os que não lhe são afetos.

Uma concessão pública dada pelos grupos que comandaram o golpe de 64 deu à Rede Globo uma ascensão inimaginável para um grupo que não tinha condições técnicas de superar a então poderosa Rede Tupi (faliu no final da década de setenta).

Olhando para o Congresso de hoje, comparando com o de 1985, quando Maluf disputou a presidência, não há diferença, apenas que o cidadão se entendesse como mais informado, porém ele está muito mais “enganado” pela aparente normalidade imposta pelo noticiário de fachada que não é “censurado”, mas direcionado pelos interesses dos barões da mídia que são gratos ao capital, ao lucro e seus interesses mais sórdidos.

Não é necessária pesquisa no Google para entender quem elege ou derruba presidentes, basta seguir o dinheiro.

Da prefeitura à presidência da República, na maioria, são membros da sociedade secreta.

Carnaval “das Antiga”!

Blog da Jô Capoeira

É a Unidos da Coloninha mais um ano na Praça XV.

A Batucada com força total.

As cuícas passando e tirando sorrisos da platéia.

A energia é tão forte que o corpo não sente o cansaço. Sente só o arrepio!

E parece que o tempo voltou e que estamos no carnaval “das antiga”, do tempo da infância, tempo da felicidade!

Carnaval na rua, carnaval do povo.

Alegria, alegria!

Fotos: Joaquim Corrêa

Ver o post original

2016, sem retrospectiva, sem perspectiva

resistir_e_preciso

Último dia útil de um ano inútil (?).

Nos anos oitenta, o Brasil se afastava da ideia de um governo militar que não se sustentou mais com o capital oriundo dos EUA (a torneira de 64 havia sido fechada), já não havia interesse no Brasil golpeado vinte anos antes, a então “distensão”, provocou um momento em que as liberdades individuais voltavam gradativamente, cunhada na expressão do movimento de “anistia ampla, geral e irrestrita”. Retornavam ao país figuras políticas e culturais que foram fundamentais para a resistência ao regime que servia aos bancos e empresários financiadores de golpe, principalmente, à mídia que foi agraciada com concessões públicas eternas. “Coincidentemente”, a Rede Globo veio do nada para se tornar a maior estrutura de comunicação da América Latina.

Ir ao cinema era a chance da catarse, de assistir cenas de ultra-violência pensando que era tudo ficção, que o futuro jamais chegaria próximo daquilo que Mad Max, Laranja Mecânica e o Exterminador (não era o do futuro) traziam com decapitações, explosões e assassinatos em série.

Finalizamos o ano com um vendedor ambulante morto a golpes por dois indivíduos irados e descontrolados, diante dos transeuntes de uma estação do metrô de SP. Como se banal fosse. Para piorar a barbárie, cidadãos que se consideram melhores que os assassinos, estavam dispostos a linchá-los.

Dois mil e dezesseis, que começou em 2013, trouxe uma inversão daquilo que foi “amplo, geral e irrestrito”, pois os pseudo-ricos foram às ruas para acabar com um partido e uma mulher no comando da nação, ambos chegaram lá por voto popular (uma palavra que causa nojo na maioria dos meus familiares e amigos coxinhas). Acreditando no Congresso Nacional liderado por Eduardo Cunha e Renan Calheiros (um “ainda” está preso, o outro é réu), dois notórios pulhas achacadores, deram aval para seguir um rito contaminado por ódio, fundamentalismo religioso e crença em uma nova TFP, apoiados por um STF que não se acanhou de fazer acordos de reajuste salarial da categoria nos corredores do que se chamou de julgamento, mas foi uma execução sumária, com direito aos olhares irônicos daqueles que estavam decidindo quais cargos ocupariam após o golpe.

Foi marcado por panelas, patos e camisas da CBF, temperados com um ódio jamais visto e transmitido em tempo real pelo maior grupo de comunicação da América Latina (quanto custa o tempo de TV deste veículo? Alguém pagou e bem).

Centrais sindicais se mantiveram silenciosas diante de uma presidente que errou seguidamente ao adotar um modelo neoliberal com amarras, nomeando Levy e deixando bancos privados decidirem os rumos da economia, acreditando no republicanismo de indivíduos extremamente frios que servem aos interesses de empresários graúdos, nunca aos do país. Acreditou na justiça venal, que deu “ar de normalidade” ao rito baseado numa peça acusatória criada na mente doente de um integralista e conduzida por uma alucinada que deveria tomar remédios de tarja preta.

Sim, foi uma grande farsa, admitida minutos após a sentença, por desavergonhados parlamentares.

Assim como em 64, apareceram os “arrependidos”, os que não previam que o golpista-mor iria fazer o projeto votado por 54 milhões de eleitores fosse, literalmente, atirado ao lixo, implantando a mesma política entreguista de FHC.

Na cultura, alguns gritos de agonia, com o fim e enterro do Ministério que alçou o país à categoria de produtor de grandes obras, mostrando a excelência da cultura brasileira. Foram leões ocupando as sedes do IPHAN nas capitais, mas foram abafados pela mídia e silenciados com os votos municipais.

Gigantes, estudantes apanharam, reagiram e ganharam muitas batalhas travadas na obscuridade bandida que os jornalões decidiram manter a informação sobre as ocupações de escolas em todo o território nacional, começando, ironicamente, pela “República” do Paraná.

Sempre que algum ministro do STF se posicionou, dando ares de constitucionalista, também foi prontamente controlado pelos seus pares que já haviam decidido qual rumo a (in) justiça iria tomar.

Foi o ano dos “votos vencidos”. Com a força da metáfora que esta expressão exige, pois não foram poucos.

Entregaram a Petrobras.

Negaram financiamento de programas sociais, voltados para a maioria da população que tem expectativa de vida de 55 anos, negaram-lhes a aposentadoria, direitos trabalhistas e, por vinte anos pelo menos, o governo se exime da obrigação de investir em educação e saúde pública.

Sessenta e quatro começou manso, com generais garantindo que haveria eleição no ano seguinte, mas quando apareceram os primeiros arrependidos, surgiram as primeiras mortes inexplicadas. Muitos “acidentes”, desaparecimentos. Sessenta e nove chegou rápido, com um endurecimento do regime e autorização para matar.

Dois mil e dezesseis trouxe os fantasmas e os filhotes daquela ditadura para o comando do país, com denúncias de corrupção enchendo até as pautas da grande mídia, mas a maioria dos brasileiros não está prestando a devida atenção. Está empurrando com a barriga que ainda está cheia.

Nossos poços de petróleo, dos nossos mares, estão sendo praticamente doados às petroleiras ESTATAIS de outros países, deixando o país seguir a direção de outros que foram vítimas de armadilhas de bancos que decidem o futuro do mundo.

Pesquisa, ciência e tecnologia foram terceirizadas aos interesses dos EUA.

Intelectuais virtualizaram a luta pensando que é nas redes sociais que está sendo travada, mas as ruas permanecem vazias, esperando a benesse de empresários inescrupulosos que se gabam de bancar os fogos de artifício da “virada”.

Como é fácil enganar um povo com circo. O pão vai custar muito caro, está fora dos planos.

Este ano não vai acabar tão cedo, principalmente para os trabalhadores, 0 que representa a maioria derrotada dos brasileiros.